Este projeto tem como objetivo analisar a variação na quantidade de obras estruturais na cidade de Curitiba durante os anos eleitorais.
Existe uma crença popular de que, em anos de eleição, os governos, tanto municipais quanto estaduais, aumentam suas atividades para demonstrar “serviço” à população. Para investigar se essa percepção é justificada, conduzi uma pesquisa utilizando o portal da transparência de Curitiba, onde busquei números e informações de 12 anos, abrangendo as últimas três eleições.
Decidi examinar os números de 2011 a 2020, aplicando filtros para tornar a pesquisa compreensível e replicável. O objetivo é esclarecer a dúvida comum: será verdade que os governos realizam mais obras em anos eleitorais para tentar melhorar sua imagem de gestão?
Os dados revelaram que, em todos os casos, o número de obras foi maior no ano eleitoral em comparação ao ano anterior. Para uma análise mais específica, considerando apenas obras estruturais, este estudo focou nos dados da Secretaria Municipal de Obras Públicas, a comparação foi feita sempre nos quatro meses anteriores às eleições em relação ao mesmo período do ano anterior.
Para compreender a escolha da secretaria neste projeto, devemos usar sua definição, que consta em seu próprio site, “Atua em todos os aspectos da infraestrutura urbana de Curitiba. Formula as políticas do setor, organiza a execução, direta ou indireta, de obras de Engenharia de edificações e equipamentos próprios da Prefeitura. Também presta diferentes outros serviços à cidade, por demanda dos seus cidadãos, como nos casos de asfaltamento de ruas, solicitados em participação no programa Fala Curitiba ou quando da emissão de parecer técnico para subsidiar Alvarás.
Suas atividades estão baseadas em projetos e programas que correspondem a quatro eixos: Iluminação Pública, Pavimentação, Drenagem, Pontes e Passarelas. Assim, faz a abertura de novas vias municipais, realiza obras (também de revitalização) de pavimentação, repara e reforma também calçadas (passeios públicos), cuida de obras de preservação de fundos de vales e fiscaliza a preservação do sistema natural de drenagem, para proteção dos mananciais de água. Além disso, tem um papel relevante no gerenciamento e manutenção de pontes e passarelas, garantindo a segurança e a mobilidade da população.”
No exemplo de 2012, meu ponto de partida para essa análise, as eleições municipais em Curitiba foram realizadas em 7 de outubro, ou seja, o recorte foi feito de junho a setembro daquele ano, e consequentemente de 2011.
Durante esse período, a Secretaria Municipal de Obras Públicas registrou 42 obras assinadas, em comparação com apenas 6 obras iniciadas no mesmo período do ano anterior (2011). Isso representa um aumento de 700% no número de obras em relação ao ano anterior. No primeiro ano de análise, encontramos suporte para a percepção dos cidadãos.
Em relação a 2011, em 2012 houve um investimento significativo do prefeito da época, Luciano Ducci, que dava continuidade ao mandato de Beto Richa, que havia vencido a corrida para governador do estado em 2010, permitindo assim que seu vice assumisse sua cadeira na prefeitura. Ducci buscou a reeleição, embora sem sucesso, já que Gustavo Fruet venceu as eleições para a Prefeitura de Curitiba em 2012, no segundo turno.
No período do mandato de Fruet, a tendência de crescimento manteve-se, ainda que em uma escala mais modesta, fosse na quantidade de obras executadas ou na proporção que um ano representaria em relação ao outro.
Em 2016 as eleições para a prefeitura municipal de Curitiba foram realizadas a partir de 2 de outubro, permitindo novamente uma análise do período de junho a setembro daquele ano e do ano anterior.
Nesse intervalo, foram registradas 13 obras pela Secretaria Municipal de Obras Públicas, em comparação com as “meras” 12 registradas no mesmo período de 2015, representando um aumento de 100% em relação ao ano anterior.
Ao contrastar com o período eleitoral anterior, que marcou o início desta pesquisa, torna-se claro quanto esforço o antigo prefeito dedicou para reformular sua imagem perante o povo curitibano. Apesar dos esforços, isso não se refletiu tanto na efetividade das intervenções urbanas quanto na simpatia popular, Fruet e Ducci não conseguiram se reeleger no ano final de seus respectivos mandatos.
Com o término do mandato de Fruet e a não reeleição, avançamos para a análise das obras realizadas no mandato subsequente, liderado por Rafael Greca. Também eleito no segundo turno, o período de Greca à frente da prefeitura demonstra um crescimento significativo na execução de obras no último ano de sua gestão. Através do portal da transparência, consta o registro de 21 obras estruturais realizadas nos quatro meses anteriores à eleição, em comparação com as 10 obras no ano anterior. É importante observar uma pequena variação no recorte deste período em 2020, uma vez que as eleições ocorreram a partir de 15 de novembro. Portanto, a análise abrangeu o período de julho a outubro daquele ano e do ano anterior, mantendo a mesma premissa das análises passadas.
No caso de 2020, houve um aumento de 210% em relação ao total de obras realizadas no ano anterior. Em 2019, foram iniciadas 10 obras no mesmo período. Seja por meio dessa estratégia específica ou pela gestão como um todo à frente da prefeitura, Rafael Greca alcançou o que seus antecessores almejaram tanto: a reeleição.
A condução desta pesquisa permite tirar algumas conclusões. Embora os dados abordem apenas uma secretária em um curto período de tempo, torna-se evidente que, pelo menos nas últimas três eleições, os prefeitos em exercício utilizaram a máquina pública para destacar as realizações de suas administrações em diversas áreas, não se limitando apenas à infraestrutura da cidade.
A desconfiança dos cidadãos em relação aos políticos e suas verdadeiras intenções diante das necessidades da sociedade é compreensível. Este material foi produzido com o intuito de investigar essa dúvida e servir como um alerta.
Uma das várias intenções desta produção é proporcionar aos eleitores a busca por métodos e critérios mais abrangentes ao avaliar aqueles que desejam eleger como seus representantes. Afinal, estamos nos aproximando do final de 2023, e em 2024 teremos novamente eleições municipais.
Visualize abaixo o gráfico animado que representa os números e anos abordados no conteúdo.